Mercúrio

29 de dez de 2008












O sol queima, como se estivesse a poucos quilômetros. Um menino corre pela estrada seca, levantando poeira em direção à luz que castiga. Ele é veloz. Seu nome é Herminho. O calor não o preocupa, ele parece estar acostumado ao suor que lhe escorre pelo rosto. Aquele é o único mundo que ele conhece; seco, quente, desolado.
Herminho não gosta de dar más notícias, mas os moradores da região acostumaram-se a tratá-lo como um mensageiro. E ali estava ele novamente, correndo em direção à casa de Dona Esperança para dar o recado. Como dizer a ela que estava tudo perdido?
Ele se aproxima com seus pezinhos magros cobertos de poeira. Dona Esperança espera à porta da casinha feita de barro. Ao vê-lo, seu coração dispara. Ela se agarra ao xale preto, cruzando as mãos sobre o crucifixo pendurado sobre seu peito. Herminho chega cabisbaixo, segurando o chapéu com ambas as mãos, sem ousar olhar nos olhos de Dona Esperança.
Eles não se falam, não é necessário nenhuma palavra. Uma lágrima sinuosa passeia pelo rosto da mulher, misturando-se ao suor que brota dos seus poros. A lágrima cai e o chão ressecado a absorve, vagarosamente, como se o sal daquela gota fosse o mais puro e adocicado mel.
OS PLANETAS


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