Peccata Mundi (vídeo)

10 de out de 2015

O novo ser

1 de jun de 2015









XM3P apresentou orgulhoso sua criação ao conselho científico. Eles não puderam esconder sua fascinação, era algo nunca antes imaginado.
- O que é isso XM3P? Não se parece com nada que conhecemos, mas parece estar...vivo!
- Sim, senhores. Este é o novo passo em direção à evolução: um ser biológico. 
- Biológico? Mas ele possui inteligência e sabedoria?
- A inteligência deles é inata, mas a sabedoria irão adquirir com as experiências.
- E não será muito perigoso criar algo que possa nos sobrepujar?
- Ele apenas facilitará nossas próprias experiências evolutivas, irmãos. Não há com o que se preocupar.
XM3P ligou a máquina que despertaria o novo ser. Estavam todos atônitos ao espetáculo da criação.
O criador tocou a testa do pequeno ser biológico como se o abençoasse.
O ser estendeu a mão ao seu reflexo e sem nenhuma dificuldade disse sua primeira palavra: "EU".

O artesão

4 de mai de 2015














Finas camadas de barro
Uma após uma escondem um segredo
Escombros, cascalhos, areia, excrementos
Descanso de mortos de um mundo imperfeito.

Águas que caem do céu 
e levam as folhas caídas na estrada
A chuva se vai e deixa suas marcas
No chão castigado de terra molhada.

Dedos hábeis de Deus
De várias camadas de barro nos fez.
Fósseis de erros guardados na alma
Segredos de barro e egos de lama.

Poema inútil

18 de abr de 2015











Escrever sobre o quê?
Não há nada a dizer.
Se eu soubesse mentir,
se eu soubesse sentir,
poderia fingir
sobre o que escrever.

Escrever para quê?
Não há nada importante
que nos toque o bastante,
que nos tire do transe,
que nos faça entender
o que não tenho a escrever.

Então para quê?
Então sobre o quê?
Ninguém me quer ler,
nem eu nem você.
As palavras me fogem.
Não as consigo prender.

Mas leio e escrevo
o que finjo sentir.
e ao ler não entendo
porque escrevi.
Será maldição
ou angústia sem fim
escrever sobre os outros 
o que escrevo pra mim?

Somewhere in time- parte final

20 de dez de 2014
















Londres, algum lugar no futuro



McBrain acompanhou o Sr. Edward até a sala secreta, na sede da WSF. McBrain mostrou-lhe a caixa de Metalium com os documentos secretos. Era possível perceber o prazer no olhar do Sr. Edward ao ver os documentos pela primeira vez.

- Finalmente. Você não imagina como esse documentos foram citados no meu treinamento.

- Imagino sim. Passei pelo mesmo treinamento. Mas penso que  você esteja mais interessado ainda nas minhas revelações finais.

- Sim, esperei anos por isso. 

Edward seria o substituto de McBrain na chefia da WSF. Ele precisava ter acesso às informações que ainda desconhecia. Partiram para o Laboratório Central de Londres. Em uma sala, conservado em uma câmara criogênica, estava um fóssil congelado. Edward aproximou-se para observar. Eram os esqueletos de três homens, cada um segurando uma cápsula eletrônica. Na noite em que Steve e Bruce partiram, McBrain já sabia sobre o destino deles. Foi por isso que ordenou que enterrassem a caixa logo depois da perseguição em Londres, pois morreriam brevemente e era necessário passar adiante as informações vitais para o futuro. 

Quatro anos antes, McBrain realmente não sabia sobre o futuro. As informações da caixa permitiam saber apenas que a última perseguição a Alexandre havia acontecido em Londres, em 1666. Daí em diante não sabiam mais nada. Se Alexandre e os agentes tivessem permanecido no passado, a qualquer momento da história poderiam causar a entropia. Os líderes da WSF permaneceriam angustiados pela dúvida, pois os efeitos da catástrofe temporal poderiam acontecer a qualquer momento, poderia levar minutos, anos, séculos, milênios, mas se o passado tivesse sido alterado, uma hora ou outra a entropia poderia destruir o universo. 

Mesmo se Alexandre voltasse para o futuro, ainda havia o risco de ele ter descoberto o segredo que tanto procurava. Isso, com certeza, modificaria o mundo como o conheciam, e poderia também levá-lo à destruição, pois o homem não estava preparado para conhecer os segredos cósmicos. A única saída seria Steve e Bruce capturarem Alexandre e levá-lo até a WSF. Se ele não tivesse conseguido seu objetivo, seria apenas preso. Mas se tivesse conseguido, pelo bem da humanidade, deveria ser morto. 

Com a descoberta dos fósseis, McBrain e todos os líderes da WSF se sentiram aliviados. As análises comprovavam que eles haviam ido direto de 1666 até o incidente na Antártida. Era a prova de que Alexandre e os agentes haviam morrido no passado, impedindo-os de cometerem possíveis modificações na história e guardando para sempre o segredo que Alexandre buscava. McBrain levou seus melhores agentes para a morte naquela noite. Ele sabia que eles não retornariam. Foram dois minutos que pareceram séculos, dois minutos de culpa. Naquela nite, ele decidiu que iria se aposentar. Através dos estudos dos cientistas, foi possível saber o que havia acontecido mil anos antes , naquela caverna da Antártida. McBrain explicava para o Sr. Edward. ,as nenhuma explicação poderia exprimir a sensação de de desespero de Steve e Bruce ao verem Alexandre destruindo sua cápsula temporal.

Por Deus, o que você fez, seu louco! Gritou Steve, desesperado.

Ele quebrou a cápsula. Sem, ela as nossas também não funcionam. Maldito, você nos prendeu no passado para sempre.

Sei muito bem o que me espera no futuro, prefiro morrer aqui. É o fim para nós três.

Filho da puta! Steve avançou sobre Alexandre e agarrou-lhe o pescoço.

Steve, espere. Talvez haja uma chance...
Steve respondeu, mas sua voz foi abafada pelo estrondo da explosão. Toneladas de pedra caíam sobre o corpo de Bruce. Steve largou o pescoço de Alexandre e correu para junto de seu amigo.

Bruce, não! Olhe o que você fez, miserável! Steve estava fora de si. Nem todo o seu treinamento poderia acalmá-lo naquela hora. Ele avançou como um louco sobre Alexandre, os dois já entendiam o que estava acontecendo. O vulcão havia entrado em erupção. A lava jorrava pelas frestas da caverna e começava a cobrir as pedras sobre o corpo caído de Bruce.

Nós vamos morrer, maldito, por sua culpa! Bruce estrangulava Alexandre. O jovem retirou um punhal que trazai consigo e perfurou o abdômen de Steve. O agente caiu gemendo no chão. Alexandre encostou-se na parede. O terremoto continuava. A lava se aproximava, cobrindoas pedras e o agentes mortos. Em breve ela a alcançaria. Alexandre pensou em sua casa, em seus pais, no futuro ao qual ele pertencia. Ele morreria ali, sozinho em uma terra gelada e fria, fora do seu tempo. Todos os seus sonhos estavam perdidos. Alexandre observou o punhal ensangüentado. O vapor do gelo derretido penetrava por suas narinas, quase o entorpecendo. Ele cortou os pulsos profundamnete e vagarosamnete. Enquanto o sangue escorria, Alexandre fechava os olhos cheios de lágrimas. Parecia que ele flutuava. Era quase possível ver o seu próprio corpo sendo soterrado pelas pedras e coberto pela lava.

Somewhere in time- parte sete

12 de dez de 2014





Antártida- algum lugar no passado


Steve e Bruce perseguem seu alvo dentro de uma caverna gelada nas montanhas transantárticas, onde um vulcão ativo começa a lançar cinzas ao céu. Alexandre tenta despistá-los, pois não partiria dali sem o que veio buscar. Ele havia recolhido várias pistas em diversas épocas da história que o levaram até aquela caverna. O segredo do universo poderia estar ali, a poucos metros dele. Ele não podia desistir. Os agentes da WSF o seguiam implacavelmente pelos corredores de gelo. Alexandre ficou sem saída, estava encurralado. Ao longe era possível ouvir o barulho do vulcão próximo à caverna. Steve e Bruce pegaram suas cápsulas e foram se aproximando aos poucos. Alexandre percebeu a situação. Estava tudo perdido.
Continua...

Somewhere in time- parte seis

5 de dez de 2014





Londres, Algum lugar no futuro


McBrain recebe os agentes Steve e Bruce. É a primeira vez que se veem pessoalmente. Os três eram os agentes mais importantes da WSF.



Desde crianças foram criados com recursos da agência e, na adolescência, começaram a ser treinados; McBrain para ser o chefe, Steve e Bruce para serem os melhores agentes. Os dois amigos nunca compreenderam o porquê, mas sabiam que um dia precisariam de todos os seus conhecimentos. Esse dia havia chegado.



McBrain os levou a uma sala secreta. Guardada em um cofre de proteção magnética estava uma caixa de metal.



- Essa, senhores, é a resposta que procuraram por todas as suas vidas.

- Uma caixa feita de Metalium?

- Sim, ela foi encontrada no deserto do Saara no ano de dois mil e..., nos primeiros testes feitos com o localizador quântico. Como vocês sabem, o Metalium só pode ser localizado dessa forma.

- Sim, mas é estranho. Nessa data o Metalium ainda estava em testes, assim como o localizador.

- Exato. Parece que quem enterrou essa caixa queria que ela fosse descoberta naquele ano.

 - Não estou entendendo.

- Se vocês estão achando estranho, esperem até ver o que há dentro da caixa.

McBrain abriu a tampa e mostrou os objetos para os agentes. Uma estranha sensação de deja-vu tomou conta de Steve e Bruce. Eles sempre sentiam aquilo, mas agora parecia mais forte. Um dos objetos lhes chamou bastante a atenção. Era um quadro com a pintura de um rapaz.

- Meu Deus! Esse... é Alexandre Murray.

- Sim, é ele.

Vendo que seus agentes estavam cada vez mais confusos, McBrain pediu que se sentassem.

- Como disse antes, essa caixa foi encontrada em dois mil e... graças à tecnologia do localizador quântico. Sem ele, creio que ela poderia ficar perdida no deserto para sempre. O fato de ela ser feita de Metalium possibilitou sua localização pelo aparelho quântico. Quem a enterrou sabia disso. Como vocês sabem, através da análise das partículas quânticas é possível saber o período exato de qualquer objeto. Pela análise, a caixa foi enterrada um ano antes da data em que lhes falei.

- Isso é impossível. As pesquisas com Metalium só começaram no ano seguinte.

- Sim, agora vejam os objetos. São documentos históricos. 

McBrain foi retirando e mostrando os documentos um por um.

- Esse foi escrito durante o reinado de Alexandre, o Grande. O autor conta algo interessante. Ele diz que Alexandria recebeu esse nome não em homenagem ao rei da Macedônia, mas sim a outro Alexandre, um oráculo que previu todas as conquistas de Alexandre Magno. O documento foi analisado, é original. Esse outro pertence à Idade Média. É uma parte do diário de Samuel Pepys. Nele, Samuel conta o relato de uma senhora que dizia ter escapado do incêndio de Londres, em 1666, graças a um namorado de sua sobrinha, chamado Adrian, que avisou sobre o incêndio. A sobrinha dela se chamava Jane. Reparem na assinatura do quadro, é o mesmo nome. Há outros documentos, pinturas, desenhos, referências, anotações, todos citando um rapaz loiro, de olhos azuis, de aproximadamente dezenove anos, mas com nomes variados, provavelmente falsos. É o nosso alvo, Alexandre Murray.

Os agentes estavam boquiabertos. Podiam esperar tudo, menos aquilo. Eles viviam exclusivamente por causa de Alexandre. Sabiam tudo a respeito dele; data e hora de nascimento, parentes, amigos, rotina diária, sabiam até o que ele gostava de comer. Eles achavam que Alexandre era um terrorista procurado, mas agora viam que havia algo mais importante. Bruce perguntou:

- Você está querendo dizer que Alexandre é um viajante do tempo? Isso é ridículo.


McBrain continuou:

- Todos esses documentos foram retirados de suas épocas e transportados para dois mil e..., quando foram enterrados todos juntos. É por isso que nunca foram encontrados durante a história. Quem enterrou esses documentos queria apagar a existência de Alexandre Murray do passado para que ninguém descobrisse que as viagens temporais eram possíveis. Tudo isso está anotado nesse relatório que estava junto com as antiguidades, anotações feitas em um tipo de papel que só passou a existir em nosso século.



- Então foi o próprio Alexandre que as escreveu e escondeu os documentos e a caixa?



McBrain hesitou por um instante.


- Apesar de ser lógico, é estranho vocês me perguntarem isso, pois foram vocês mesmos que enterraram a caixa.

- Steve e Bruce estavam atônitos. Mcbrain mostrou as anotações. Havia várias folhas de papel universal,um tipo de papel com aspecto plástico, feito em laboratório, resistente e antipoluente. Nessses papéis havia anotações feitas a caneta. Steve arregalou os olhos.

- É a minha letra!

- Mas como e quando as viagens no tempo serão possíveis? Perguntou Bruce.

- Como vocês sabem, Alexandre tem atualmente quinze anos e é um grande espião. O que vocês não sabem é que as viagens temporais já são possíveis. Foram inventadas secretamente três cápsulas temporais. Elas funcionam com nanotecnologia, baseadas nos princípios da física quântica. Há uma telemetria entre elas; para uma funcionar, as outras duas também precisam estar ativas. Se houver outra cápsula, elas se anulam. Portanto, só pode existir três cápsulas e as três funcionam interligadas. Alexandre está tentando consegui-las. Daqui a quatro anos, um traidor da WSF entregará uma cápsula a Alexandre. Ele sabe que poderíamos impedir isso, ou destruir as outras duas cápsulas para aprisioná-lo no passado, mas ele sabe também que nós nunca faríamos isso. Não podemos mudar o passado. Se fizermos isso, poderá haver uma entropia cósmica que destruiria tudo, todo o universo. Tudo que está escrito nesses documentos precisa acontecer; o passado precisa acontecer para existir o futuro. Por isso deixamos Alexandre agir, apesar de sabermos tudo o que ele fará, como vocês deixaram escrito no relatório. Bruce e Steve, graças às anotações que vocês nos deixaram, as lideranças mundiais criaram a WSF, cuidaram de mim desde criança, pois estava escrito que eu seria o chefe da organização durante o período crítico. Além disso, as anotações nos deixaram indicações de como criar o Metalium, a análise quântica e as cápsulas temporais. Percebem agora porque sempre foram tão importantes?

- Meu Deus, não estou conseguindo nem pensar direito. Disse Bruce. Steve apenas observava sua letra nos documentos, atônito.

- Vocês precisam se preparar. Daqui a quatro anos Alexandre voltará para o passado e vocês o perseguirão.Vocês não podem modificar o passado nem permitir que ele modifique. Não o matem, isso seria fatal para todo o universo.

- Por quê? Há registros de que ele voltou para o futuro?

- Não. Mas não podemos arriscar. McBrain tentou parecer firme, para não perceberem que ele estava omitindo fatos.

- Maldito moleque! O que ele quer com isso?

- Ele tem um motivo, Bruce. Alexandre é vaidoso, ele quer deixar sua marca na história. O nome da cidade de Alexandria comprova isso. Mas o motivo principal é bem maior.

- Qual? Perguntou Steve, curioso.

- Há uma teoria de que o segredo da criação do universo e da humanidade se perdeu em uma determinada época do passado. Quem descobrisse esse segredo teria acesso ao conhecimento infinito e à vida eterna. Alexandre voltou para o passado para descobrir esse segredo.

- E isso realmente existiu?

- Provavelmente não. O que precisamos é impedir uma possível entropia cósmica. Tragam Alexandre vivo. Ele será condenado e talvez morto por seus crimes. Vocês terão quatro anos para se prepararem. No dia três de Agosto de dois mil e..., Alexandre e vocês partirão... como você mesmo escreveu, Steve. 

Os dois agentes levaram algum tempo até se acostumarem com aquelas revelações. McBrain quase não os viu durante os quatro anos seguintes. No dia marcado, eles se encontraram novamente na sede da WSF.

- Como vocês já estudaram, a viagem para um futuro ainda não acontecido é impossível. Portanto, mesmo que passem anos no passado, quando voltarem terão se passado apenas dois minutos. Alexandre acabou de partir. É hora de vocês irem. Eu os esperarei ansioso. Os documentos que vocês nos deixaram nos dizem muitas coisas, mas não falam nada sobre a captura ou não de nosso alvo. Mas confio em vocês. Esperarei esse dois minutos ansiosamente e tenho certeza que verei vocês regressarem com Alexandre. Boa sorte, cavalheiros. 

Steve e Bruce acionaram as cápsulas. McBrain protegeu os olhos. Um forte clarão ofuscou a sala e os dois agentes desapareceram. McBrain sentou-se em sua cadeira e olhou para o relógio. Ele sentia-se mal por haver omitido uma parte da verdade, mas era o destino de todo o universo que estava em jogo. Ele olhou novamente para o relógio. Faltavam dois minutos para a meia-noite. Seriam os dois minutos mais longos de sua vida.

Continua...

Somewhere in time- parte cinco

28 de nov de 2014












Londres 1666 D.C

É noite. As ruas estão vazias em Pudding Lane. Um casal de jovens parece ignorar o risco dos assaltos. Eles andam despreocupadamente, abraçados, conversando e rindo alto. O rapaz carrega uma garrafa de vinho quase seca. Eles param perto da ponte de Londres, ofegantes e dando gargalhadas.
 
- Você é tão estranho, não acredito que seja daqui.
 
- São tão londrino quanto você. Responde o jovem tomando o último gole de vinho.

- Esses dias que estive com você foram maravilhosos. Você sabe tanta coisa.

- O conhecimento é tudo, Jane. Os poderosos sempre nos privaram do conhecimento porque sabem que isso pode os derrubar. É isso que procuro: o conhecimento total.

- Mas você já sabe tantas coisas, não precisa aprender mais nada.

- Você é tão ingênua, Jane. Olhe para as estrelas, pense no universo, como você acha que tudo isso foi criado? Esse é o maior segredo. O segredo que sempre nos foi privado e que um dia eu vou descobrir.
Eles ficam em silêncio por um instante. Pouco depois, o jovem olha para sua companheira com os olhos embriagados.

- Hoje é vinte e oito de Agosto.

- O quê?

- Dia dois de Setembro acontecerá algo terrível em Londres. Vá para a margem sul do Tâmisa um dia antes. Lá estará segura.

- Não posso fazer isso. A minha tia não vai concordar. Ela já está muito velha e não deixa a nossa casa para nada.

- Jane, não vai sobrar nada da sua casa. Se sua tia não quiser ir, vá sozinha, senão as duas morrerão.

- Você está me deixando com medo, o que vai acontecer?

- Não posso dizer. É perigoso demais.

Jane lembrou-se do dia em que o conheceu. Os olhos azuis e a inteligência do rapaz a conquistaram. Adrian era especial, diferente de todos os homens que ela havia conhecido. Ele parecia saber sobre tudo; às vezes, até mesmo sobre o futuro.

- Eu confio em você, Adrian. Você já acertou várias previsões antes. Chega a me assustar às vezes. Se eu fosse religiosa, diria que você tem um pacto com o demônio. Os olhos azuis do rapaz fitavam Jane com carinho.

- Gostaria tanto que você viesse comigo, porém isso é impossível.
Jane acariciou-lhe os cabelos loiros e disse algumas palavras. Adrian não a ouviu, pois prestava atenção em dois vultos que corriam em sua direção.

- Vamos sair daqui, Jane! São eles.

Jane nunca tinha visto os dois homens antes, porém, o rapaz já havia lhe falado sobre eles e sobre a possibilidade de eles aparecerem a qualquer momento em seu encalço. Jane imaginava que seu amante poderia ser um criminoso, mas ele a acalmou dizendo que os homens não eram da polícia, mas mesmo assim eram muito perigosos. Jane não era medrosa, vivia com a tia doente em uma humilde casa, trabalhava nas feiras e pintava quadros nos dias de folga. Chegava a vender alguns retratos e paisagens de vez em quando. Porém, ela não queria que nada de mal acontecesse à tia, por isso ficou com medo. Correram em direção a casa de Jane, passando por vielas para despistar os dois homens. Quando estavam próximos da casa, pararam.

- Acho que os despistamos. Não estou os vendo mais.

- Pois então vamos entrar antes que nos encontrem.

A moça abriu a porta e os dois entraram na humilde casa. A tia de Jane já estava dormindo. Foram para o quarto da moça que servia também de ateliê. No centro do quarto havia um quadro que a jovem pintara recentemente: um retrato de Adrian. O jovem percebeu que Jane estava preocupada. Ele a abraçou e beijou.

- Não quero que corra perigo por minha causa. Partirei amanhã.

- Não, fique comigo.

- Eu sou um viajante solitário, Jane. Mesmo que eu quisesse não poderia te levar. Eu sou um estranho em todos os lugares em que vou. Sinto tanta saudade de casa; às vezes acho que gastei todos esses anos por nada.

- Mas você é tão jovem, Adrian. Você tem todo tempo do mundo para alcançar seus objetivos.
Ele a fitou por alguns instantes.

- Sim, eu tenho todo o tempo do mundo, mas minha vida é feita de mentiras.

- Como assim?

- Não importa. O rapaz a abraçou novamente.

- Prometa que no primeiro dia de setembro irá para a outra margem do Tâmisa.

- Você disse que sua vida é feita de mentiras. Para eu acreditar, você precisa me dizer o que vai acontecer. Ele aproximou-se e disse algo no ouvido da jovem. Jane estremeceu, mas não teve tempo de dizer nada. Os dois perseguidores quebraram a porta do quarto e investiram contra os dois. O quarto foi destruído pela luta. No final, Adrian e Jane tinham sido subjugados.

- Finalmente o pegamos! Achou que poderia fugir para sempre?
Adrian não respondeu, pois surgiu uma chance para escapar. A tia de Jane apareceu no quarto, acordada pelo barulho. Ao ver a sobrinha segura por um dos homens desconhecidos, começou a gritar. Adrian aproveitou, desvencilhou-se do homem que o segurava e fugiu agilmente pela janela.

- Maldição, ele fugiu! Vamos atrás dele.

- Espere. Ordenou o outro, caminhando em direção ao quadro do rapaz, pintado por Jane.

- É o último item que procurávamos.

- Deixem meu quadro em paz, gritava Jane, amparando sua tia que havia desmaiado.

- Um dos homens pegou o retrato, enrolou cuidadosamente e colocou dentro da bolsa que carregava.

- Chegou o momento. Disse ele, misteriosamente para o outro.

- Sim, vamos ter que dar uma pausa na perseguição.

- Mas porque o chefe pediu para fazermos isso nessa data?

- Ele não disse, mas acho que é porque as anotações vão somente até aqui. Ele não quer arriscar. Ninguém sabe o que vai acontecer a partir de agora. Esse é o momento mais perigoso. Precisamos fazer uma última anotação, não podemos colocá-la junto com as outras mas talvez consigamos fazer com que ela chegue ao chefe de alguma forma.

Enquanto falava, o homem apanhou um objeto que Jane achou muito estranho. Logo após, começou a movimentá-lo no ar. Uma pequena luz vermelha piscou no objeto.

- Captei a movimentação quântica. Ele já foi, registrei o próximo destino.

Um dos homens começou a escrever em um papel que tirara da bolsa. Depois o deixaram em cima da mesa enquanto conferiam os outros papéis e objetos da bolsa. Jane aproveitou-se da situação e escondeu o estranho papel.

- Você viu se guardei as últimas anotações?

- Não sei, acho que sim. Não há mais nada por aqui.

- Então vamos, não podemos perder tempo. Os homens saíram sem se preocupar com Jane. Sua tia acordou logo em seguida, assustada. Jane a acalmou e disse que estava tudo bem por enquanto.

- Esses homens não vão mais nos incomodar. Estavam atrás de Adrian, e pelo jeito, nenhum deles vai voltar. Tia, amanhã temos que preparar nossas coisas. Precisamos sair daqui.

- Mas você disse que eles não vão voltar.

- Não é por causa deles. Vai acontecer algo terrível em breve, precisamos fugir.

A tia de Jane não entendeu nada, ficou resmungando enquanto Jane lia as anotações feitas pelos homens. A tinta e o papel eram muito estranhos, mas o conteúdo era mais estranho ainda. Havia palavras que Jane desconhecia completamente. Ela ficou com medo de que os homens voltassem para procurar o papel e o queimou na chama da vela. Porém, uma palavra ficou em sua mente, uma das palavras mais estranhas em meio a tantas outras. Ao dormir, Jane pensava em Adrian e pronunciava baixinho a palavra que se perdia aos poucos em meio à escuridão: Antártida... Antártida...
Continua...

Somewhere in time- parte quatro

21 de nov de 2014
















Deserto do Saara, algum lugar no futuro
 
É noite. O vento frio do deserto sopra sobre os dois homens encapuzados que cavam na areia. Ao lado deles há uma caixa feita de um metal desconhecido, semelhante ao alumínio. Eles enterram a caixa no buraco. Logo após, cada um deles retira uma cápsula eletrônica escondida entre suas roupas de nômade. Há um clarão, e logo depois... o silêncio.



Continua...

Somewhere in time- parte três

1 de out de 2014












Londres, dois dias antes




O cerco estava se fechando para McBrain. As lideranças mundiais cobravam uma investida drástica no caso. "Eles acham que é fácil", pensava ele. A World Security Force (Força de Segurança Mundial) estava com tudo sob controle. Do que eles tinham medo? 

Apesar dessa aparente confiança, McBrain sabia que o caso era grave. Toda a sociedade como conheciam estava ameaçada, poderia ser o fim de tudo o que existia ou o começo de algo simplesmente inconcebível para a mente humana. E tudo por causa de um garoto intrometido. 

McBrain tinha 45 anos e havia se tornado o chefe da WSF aos 25, depois de um minucioso e vigoroso treinamento intelectual, psicológico e físico. Quando assumiu a liderança da WSF, todas as revelações foram feitas e ele finalmente percebeu porque o tratavam com tanta importância. McBrain então passou a esperar que acontecesse o que estava escrito nos documentos, como se eles fossem pergaminhos proféticos. Há 15 anos suas expectativas se transformaram em certezas. As cápsulas foram criadas na data exata que estava escrita nos documentos e, dois dias depois, a criança nasceu. Era necessário apenas um teste de identificação. 


A WSF tinha acesso a todos os registros eletrônicos de nascimento de todo o mundo. Os avanços tecnológicos dos últimos séculos permitiam identificar qualquer pessoa através da análise quântica de sua estrutura. Quando Alexandre nasceu eles tiveram a certeza que haviam encontrado o motivo de suas preocupações. A análise quântica do recém nascido era idêntica aos resquícios quânticos medidos pelos aparelhos nos documentos encontrados há duzentos anos, comprovando que eles diziam a verdade. 

Desde aquele dia, Alexandre foi vigiado pelos agentes da WSF. Era necessário saber tudo o que ele fazia, vigiá-lo e ao mesmo tempo protegê-lo, mesmo que a WSF e todos os líderes mundiais ligados a ela o odiassem pelo o que ele ia fazer. Era uma terrível contradição. Eles deveriam assegurar que Alexandre fizesse tudo o que ele pretendia, mas ao mesmo tempo queriam matá-lo por causa disso. Porém, eles só poderiam matá-lo depois que tudo estivesse esclarecido. E esse era justamente o problema. Nenhum deles tinha ideia do que iria acontecer. Os documentos secretos possibilitavam uma noção exata do que havia acontecido até um certo momento, mas depois tudo ficava obscuro. 

McBrain sabia que depois do que estava para acontecer, não haveria mais garantia de que o mundo continuaria existindo. McBrain estava absorvido pelo seus pensamentos quando seu chip-celular secreto tocou. O chefe da WSF ficou boquiaberto, saiu rapidamente acompanhado de seus seguranças e rumou o mais rápido possível até o laboratório central. 

McBrain quase não pôde acreditar. Uma semana antes havia sido encontrado um fóssil em uma profunda caverna nas geleiras da Antártida. McBrain não deu muita atenção à notícia, mas agora parecia que só aquele fóssil importava. Ele pediu todos os relatórios até aquele momento. Os cientistas explicaram tudo. McBrain não pode conter o sorriso de satisfação e alívio.

- Por Deus, estamos salvos! 

Ele pegou o chip celular e ligou imediatamente para a central da WSF.

- Parem de perseguir Alexandre. Deixem que ele faça tudo o que ele quiser. E marquem um encontro com os agentes Steve e Bruce. Já é hora de nos conhecermos pessoalmente.

Continua...