Somewhere in time- parte três

1 de out de 2014












Londres, dois dias antes




O cerco estava se fechando para McBrain. As lideranças mundiais cobravam uma investida drástica no caso. "Eles acham que é fácil", pensava ele. A World Security Force (Força de Segurança Mundial) estava com tudo sob controle. Do que eles tinham medo? 

Apesar dessa aparente confiança, McBrain sabia que o caso era grave. Toda a sociedade como conheciam estava ameaçada, poderia ser o fim de tudo o que existia ou o começo de algo simplesmente inconcebível para a mente humana. E tudo por causa de um garoto intrometido. 

McBrain tinha 45 anos e havia se tornado o chefe da WSF aos 25, depois de um minucioso e vigoroso treinamento intelectual, psicológico e físico. Quando assumiu a liderança da WSF, todas as revelações foram feitas e ele finalmente percebeu porque o tratavam com tanta importância. McBrain então passou a esperar que acontecesse o que estava escrito nos documentos, como se eles fossem pergaminhos proféticos. Há 15 anos suas expectativas se transformaram em certezas. As cápsulas foram criadas na data exata que estava escrita nos documentos e, dois dias depois, a criança nasceu. Era necessário apenas um teste de identificação. 


A WSF tinha acesso a todos os registros eletrônicos de nascimento de todo o mundo. Os avanços tecnológicos dos últimos séculos permitiam identificar qualquer pessoa através da análise quântica de sua estrutura. Quando Alexandre nasceu eles tiveram a certeza que haviam encontrado o motivo de suas preocupações. A análise quântica do recém nascido era idêntica aos resquícios quânticos medidos pelos aparelhos nos documentos encontrados há duzentos anos, comprovando que eles diziam a verdade. 

Desde aquele dia, Alexandre foi vigiado pelos agentes da WSF. Era necessário saber tudo o que ele fazia, vigiá-lo e ao mesmo tempo protegê-lo, mesmo que a WSF e todos os líderes mundiais ligados a ela o odiassem pelo o que ele ia fazer. Era uma terrível contradição. Eles deveriam assegurar que Alexandre fizesse tudo o que ele pretendia, mas ao mesmo tempo queriam matá-lo por causa disso. Porém, eles só poderiam matá-lo depois que tudo estivesse esclarecido. E esse era justamente o problema. Nenhum deles tinha ideia do que iria acontecer. Os documentos secretos possibilitavam uma noção exata do que havia acontecido até um certo momento, mas depois tudo ficava obscuro. 

McBrain sabia que depois do que estava para acontecer, não haveria mais garantia de que o mundo continuaria existindo. McBrain estava absorvido pelo seus pensamentos quando seu chip-celular secreto tocou. O chefe da WSF ficou boquiaberto, saiu rapidamente acompanhado de seus seguranças e rumou o mais rápido possível até o laboratório central. 

McBrain quase não pôde acreditar. Uma semana antes havia sido encontrado um fóssil em uma profunda caverna nas geleiras da Antártida. McBrain não deu muita atenção à notícia, mas agora parecia que só aquele fóssil importava. Ele pediu todos os relatórios até aquele momento. Os cientistas explicaram tudo. McBrain não pode conter o sorriso de satisfação e alívio.

- Por Deus, estamos salvos! 

Ele pegou o chip celular e ligou imediatamente para a central da WSF.

- Parem de perseguir Alexandre. Deixem que ele faça tudo o que ele quiser. E marquem um encontro com os agentes Steve e Bruce. Já é hora de nos conhecermos pessoalmente.

Continua...