O Prisioneiro- parte 4

7 de abr de 2014










A Prisão da Mente

E ele que se orgulhava tanto de sua racionalidade! Ele julgava conhecer toda a prisão a sua volta até os mínimos detalhes. Tolo! Ele nem ao menos sabia que estava preso. O prisioneiro não podia confiar em seus conhecimentos. Agora que estava desperto, ele via que tudo o que aprendera era para mantê-lo sobre controle. Tudo parecia ser guiado, como se fosse para a manutenção de um segredo.

Então ele tentou se recordar de quando tudo havia começado, pois ele imaginava que em determinado momento de sua vida, sua mente foi aprisionada. A primeira lembrança que ele tinha era a de seus antigos guardiões, aos quais ele aprendera a chamar por outros nomes. Naquela época sua mente já estava aprisionada a regras, mas ele sentia que muito antes disso ela já era prisioneira. Porque tanta injustiça? Já não bastava ele estar preso corporalmente? A cada dia de sua pena, sua mente era aprisionada mais e mais a regras físicas e sociais. 

Agora que ele ansiava pela liberdade, pôde perceber que até mesmo seus sentimentos eram uma forma de aprisionamento, uma forma de controle. Ele lembrou-se da primeira vez em que sentiu amor. (Ou será que ele tinha sido induzido a sentir)? Ele amou uma prisioneira. Naquela época ele não sabia que estava encarcerado e tampouco que todos à sua volta também estavam. Ele sentiu-se imensamente feliz com aquela sensação, embora às vezes a dor e a tristeza, as quais ele já sabia dar nome, viessem em companhia do amor que ele sentia (ou julgava sentir).

Primeiro ele amou a cela da prisioneira. Era um corpo diferente do seu. Uma cela que atraía a sua de uma maneira quase incontrolável. Depois ele amou a mente da prisioneira e finalmente o espírito. Como ela também estava alheia à sua situação, logo os dois caíram na armadilha do carrasco oculto. Juntos, formaram outros prisioneiros. Somente agora, livre de sua venda psíquica, ele pôde encarar a dura realidade. O amor era um artifício para a produção de novos prisioneiros. Através dos próprios detentos, novos encarcerados entravam para a grande prisão.

Aquilo precisava acabar. Sua mente ansiava por liberdade. Seus pensamentos queriam voar. Ele tentou libertar a mente dos outros prisioneiros. Mentes presas a um mundo de fantasia. Porém ele falhou. Todos chegaram à conclusão de que ele havia enlouquecido. O prisioneiro foi espancado e humilhado por todos.

Quando ele percebeu que não podia libertá-los da mentira, o prisioneiro dedicou-se a lutar pela liberdade de sua própria mente. Foi com grande horror que ele descobriu que sua mente também era prisioneira em seu corpo, o invólucro de seus pensamentos, sua cela.

Seus pensamentos não poderiam se libertar se ele próprio não se libertasse da prisão infinita. E isso o desanimou. Ele só podia esperar por justiça. Seria o tempo um juiz justo?

Aos poucos sua cela foi enfraquecendo e o prisioneiro pôde sair sem culpa. Mas seus pensamentos teriam ido com ele?

Continua...

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