Sinfonia dolorosa

12 de mai. de 2014














O ritmo das lágrimas 
goteja em meus ouvidos.
A sinfonia dissonante
me toca em sustenidos.
Sou instrumento grave
gravemente ferido
ressoando cantos de mim.


O Prisioneiro- parte final

8 de mai. de 2014

A Liberdade?

















Ele finalmente estava livre? 

Sem truques, sem vendas, sem algemas ou correntes. Livre de qualquer prisão: corporal, intelectual ou psíquica. Agora ele conhecia outra realidade sobre si mesmo. E percebeu que não precisava abandonar seu corpo para ser livre, pois a verdadeira prisão era íntima e interior e o acompanharia em qualquer lugar em que estivesse. O verdadeiro cárcere era ser prisioneiro de si mesmo. 

Ele percebeu que em  qualquer lugar poderia ser livre, até mesmo em suas antigas prisões. Bastava entrar no fundo do seu ser e conhecer os detalhes de si mesmo, saber que era incompleto e que caminhava sempre em direção ao futuro. Ele sorriu perante  o estranho paradoxo. Ele era seu próprio carcereiro. 

A chave para sua prisão esteve sempre ao seu alcance e ele nunca viu.



O Prisioneiro- parte 5

28 de abr. de 2014


A Prisão do Espírito












Ao se dar conta de seu estado, o prisioneiro desejou ser algo mais do que aquilo. Se ele não era seu corpo, nem seus pensamentos, o que ele poderia ser? Ele imaginou que poderia haver uma essência, e que essa essência poderia ser livre algum dia. De certa forma já haviam lhe prometido a liberdade, embora eles a chamassem por outro nome. Agora, que estava acordado, ele não conseguia entender esse paradoxo. Para se libertar era preciso estar preso às regras.

Foi-lhe ensinado, por forma de enigmas, que todos estavam presos na grande prisão pelo mesmo crime, que todos foram julgados pelo mesmo juiz, condenados pelo mesmo júri, mas que somente poucos se libertariam. Foi-lhe ensinado, também através de enigmas, que corpo e mente jamais poderiam se libertar. Somente a essência teria esse destino mas era preciso seguir cegamente as instruções do grande diretor do presídio. Porém, o prisioneiro não sabia ao certo se o diretor existia ou não. Como então poderiam ser livres algum dia? Do que adiantava seguir tão rígidas normas? Essa loucura precisava ter um fim.

O prisioneiro tentou libertar a alma de seus companheiros, livrando-os de tão ridícula ignorância. A reação foi a mais violenta possível. Como ele poderia querer os tirar a maior esperança de liberdade que possuíam? (Embora eles nem soubessem que estavam presos). Eles tinham fé no administrador de suas vidas. Uma instituição tão grande não poderia funcionar sem um diretor. Isso era inconcebível.

Como não podia libertá-los de sua suposta ilusão, afinal de contas o prisioneiro tinha dúvidas até de suas próprias dúvidas, ele passou a procurar meios de libertar sua própria essência, embora ele mesmo tivesse dúvidas sobre sua existência. Pelo menos sobre algo ele já havia se conformado. O corpo jamais poderia sair daquele presídio. Ele teria que se conformar em acreditar de que um dia talvez sua essência se libertasse.

Então, aos poucos, a cela que era o invólucro de seus pensamentos foi se enfraquecendo, possibilitando a saída do prisioneiro. Ele finalmente saberia como era a liberdade.

Continua...

O Prisioneiro- parte 4

7 de abr. de 2014










A Prisão da Mente

E ele que se orgulhava tanto de sua racionalidade! Ele julgava conhecer toda a prisão a sua volta até os mínimos detalhes. Tolo! Ele nem ao menos sabia que estava preso. O prisioneiro não podia confiar em seus conhecimentos. Agora que estava desperto, ele via que tudo o que aprendera era para mantê-lo sobre controle. Tudo parecia ser guiado, como se fosse para a manutenção de um segredo.

Então ele tentou se recordar de quando tudo havia começado, pois ele imaginava que em determinado momento de sua vida, sua mente foi aprisionada. A primeira lembrança que ele tinha era a de seus antigos guardiões, aos quais ele aprendera a chamar por outros nomes. Naquela época sua mente já estava aprisionada a regras, mas ele sentia que muito antes disso ela já era prisioneira. Porque tanta injustiça? Já não bastava ele estar preso corporalmente? A cada dia de sua pena, sua mente era aprisionada mais e mais a regras físicas e sociais. 

Agora que ele ansiava pela liberdade, pôde perceber que até mesmo seus sentimentos eram uma forma de aprisionamento, uma forma de controle. Ele lembrou-se da primeira vez em que sentiu amor. (Ou será que ele tinha sido induzido a sentir)? Ele amou uma prisioneira. Naquela época ele não sabia que estava encarcerado e tampouco que todos à sua volta também estavam. Ele sentiu-se imensamente feliz com aquela sensação, embora às vezes a dor e a tristeza, as quais ele já sabia dar nome, viessem em companhia do amor que ele sentia (ou julgava sentir).

Primeiro ele amou a cela da prisioneira. Era um corpo diferente do seu. Uma cela que atraía a sua de uma maneira quase incontrolável. Depois ele amou a mente da prisioneira e finalmente o espírito. Como ela também estava alheia à sua situação, logo os dois caíram na armadilha do carrasco oculto. Juntos, formaram outros prisioneiros. Somente agora, livre de sua venda psíquica, ele pôde encarar a dura realidade. O amor era um artifício para a produção de novos prisioneiros. Através dos próprios detentos, novos encarcerados entravam para a grande prisão.

Aquilo precisava acabar. Sua mente ansiava por liberdade. Seus pensamentos queriam voar. Ele tentou libertar a mente dos outros prisioneiros. Mentes presas a um mundo de fantasia. Porém ele falhou. Todos chegaram à conclusão de que ele havia enlouquecido. O prisioneiro foi espancado e humilhado por todos.

Quando ele percebeu que não podia libertá-los da mentira, o prisioneiro dedicou-se a lutar pela liberdade de sua própria mente. Foi com grande horror que ele descobriu que sua mente também era prisioneira em seu corpo, o invólucro de seus pensamentos, sua cela.

Seus pensamentos não poderiam se libertar se ele próprio não se libertasse da prisão infinita. E isso o desanimou. Ele só podia esperar por justiça. Seria o tempo um juiz justo?

Aos poucos sua cela foi enfraquecendo e o prisioneiro pôde sair sem culpa. Mas seus pensamentos teriam ido com ele?

Continua...

O Prisioneiro- parte 3

21 de mar. de 2014
















A Prisão do Corpo


O prisioneiro não olhava mais para a prisão como se fosse sua casa. O teto azul e branco ainda lhe parecia bonito, mas agora ele percebia o quanto era inatingível. Ele percebeu que estava preso àquele chão, no qual tantas vezes brincara.

Ele observou o invólucro de seus pensamentos, preso naquele presídio disfarçado de casa. Observou e ficou aterrorizado com sua cegueira. Ele estava preso a ações que não poderia interromper. Ele necessitava se entregar às suas limitações. Ele era fraco. O prisioneiro finalmente prestou atenção às suas correntes.

Foi com grande horror que ele se deu conta da mais terrível verdade. Ele não estava só. Todos estavam presos. Seus antigos guardiões, seus aprendizes, todos os que ele conhecia e os que ele não conhecia. Eram todos prisioneiros.

Agora a cada observação ele recebia uma nova revelação. Ele notou que nenhum dos prisioneiros estava ciente de sua prisão, assim como ele anteriormente. Consciente, era mais fácil pensar. Será que todos tinham sido presos arbitrariamente? Ou apenas desconheciam seus crimes? Isto não podia continuar. Era necessário acordar os outros do seu sono de ignorância. Ele os lideraria em uma rebelião em busca da liberdade. Era necessário encarar o diretor da prisão de frente e exigir uma explicação.

Mas foi grande a sua decepção ao descobrir que ninguém queria ser libertado. Os prisioneiros haviam se acostumado tanto à prisão que já não conseguiam enxergar as correntes em suas mãos. Para eles, ele era louco e perigoso. O prisioneiro jamais encontrou o diretor do presídio e acabou se convencendo de que ele não existia.

Somente nesse instante, quando parou de olhar para fora e se concentrou em seu interior, ele percebeu que ele próprio era seu carcereiro. Ele olhou para suas mãos traidoras e viu mais uma face da verdade. O seu corpo, invólucro dos seus pensamentos, era sua cela. Todos os prisioneiros andavam encarcerados dentro de si próprios, presos às suas celas ambulantes. Até mesmo seus corpos serviam ao sistema que os mantinham presos.


Todos os prisioneiros agora estavam contra ele. Espancavam-no e o insultavam o tempo todo. Cansado de tentar ajudá-los a enxergar a verdade, o infeliz prisioneiro dedicou-se a conseguir sua própria liberdade. Porém parecia impossível provar sua inocência. A única saída seria a fuga, mas seria muito doloroso e uma demonstração de culpa. Então o prisioneiro esperou. Aos poucos sua cela foi enfraquecendo e ele pôde sair. 

Teria ele conseguido a liberdade?

Continua...

O Prisioneiro- parte 2

2 de mar. de 2014















A segunda prisão


A nova prisão era um enorme presídio. Como antes, o prisioneiro ainda não tinha percepção de seu estado. Já não se lembrava de sua antiga prisão. Vivia um dia após o outro e parecia ser feliz. Foi-lhe ensinado a dar nome às coisas, e rapidamente ele já estava familiarizado com seu novo cárcere.

Quantas sensações ele descobrira sem nem ao menos se lembrar da primeira vez que as tinha sentido. Ele já sabia dar nome a elas- dor, raiva, alegria, tristeza e uma que não estava totalmente desenvolvida nele: a dúvida.

Sem saber que era um prisioneiro, ele acabou deduzindo que era um aprendiz. Sentiu que era necessário se instruir para um dia abandonar seu status inferior e se tornar um comandante, alguém com autoridade, assim como seus guardiões.

Eram dois guardiões principais. Foi-lhe ensinado a chamá-los de pai e mãe. Ele os amava. Eles o protegiam e o orientavam dentro da prisão. Como ele os invejava! Eram perfeitos. Ele queria ser como eles. Também queria se tornar um guardião. Então ele ia todos os dias ao treinamento, ao qual chamavam de escola, trabalho, igreja e vários outros nomes. Lá conheceu vários outros aprendizes, com os mesmos sonhos, cegos à realidade, assim como ele, alheios ao fato de serem apenas prisioneiros. Alguns mais rebeldes do que os outros, mas no geral todos estavam como deveriam estar, ignorantes à verdade. Quando estavam nesses setores de treinamento da prisão, os prisioneiros eram monitorados por sub-guardiões. Eles eram responsáveis pelo doutrinamento dos aprendizes. Regras e disciplinas rígidas eram a base da formação dos prisioneiros, a qual o único objetivo era mantê-los prisioneiros.

O prisioneiro continuou aprendendo a ser prisioneiro. Em sua ilusão chegou a acreditar que era feliz. Mas havia uma sensação que não estava totalmente desenvolvida nele: a dúvida. Ele notou que havia algo mais além do que os olhos podiam captar. Alguma coisa oculta. Um mistério que o angustiava às vezes. Mas ele tinha feito tudo certo desde o começo, como seus guardiões queriam. O que poderia estar errado? Com certeza era apenas uma pequena falha nele mesmo. Algo que o impedia de atingir seus sonhos e que deveria ser eliminado.

Em certo ponto de sua condenação estava tudo correndo tão bem que ele já era considerado um novo guardião. Ele já tinha até seus próprios aprendizes, aos quais ensinou a chamá-lo de pai como o sistema prisional onde estava exigia. Ele os orientava como ele próprio havia sido orientado anteriormente.

Nesse momento de sua pena, o prisioneiro recebeu o maior castigo de toda sua existência. Uma maldição da qual jamais conseguiria se libertar. Talvez estimulada pela rotina de suas ações, sua observação se desenvolveu. E com ela seu sentimento de dúvida cresceu até se tornar incontrolável. Ele comera o fruto do conhecimento. Era como se finalmente o tivessem condenado à pena de morte. O prisioneiro estava para sempre amaldiçoado com a verdade.

Continua...

O Prisioneiro- parte 1

9 de jan. de 2014











“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer. Porque no dia em que o fizeres serás condenado a morrer”.


                                                                                               Gênesis 2,17

 

A primeira prisão

                                                                                   
Ele foi gerado em uma prisão, embora não tivesse consciência disso. No futuro ele não se lembraria de nada sobre aquele local, mas naquele momento ele sentia-se seguro e confortável, como se aquela prisão fizesse parte dele mesmo.

Só havia a escuridão, embora ele não tivesse consciência disso também, pois o prisioneiro não enxergava e, mesmo que enxergasse, ele não saberia dar nome à escuridão, porque ela estava ali desde o princípio confundindo-se com o ambiente e com ele mesmo. O local era morno e agradável. Na escuridão ele flutuava. Com sua percepção falha não era possível saber o que era em cima e o que era em baixo. Havia paredes macias que pareciam se mover. No futuro ele não se lembraria de nada daquilo, nem mesmo da estranha sensação de que tudo aquilo era ele mesmo.

Ele ouvia vozes. Não entendia o significado daqueles sons, nem sabia se eram dirigidos a ele. Apenas ouvia. Eram várias vozes, embora algumas fossem mais frequentes e justamente as que o agradavam mais. Muitas eram desconhecidas e o assustavam. Mas existia uma que era especial. Quando ele a ouvia, de certa forma sabia que ela estava se dirigindo a ele. Às vezes ele queria responder àquela doce voz que o agradava tanto, mas não era capaz de fazer isso.

Não era possível saber quando era dia ou quando era noite. Ele simplesmente dormia quando sentia sono. O prisioneiro não sentia fome nem sede. Seus dias eram tranquilos e ele apenas vivia um dia após o outro em sua doce prisão.

Então um dia algo estranho aconteceu. As paredes macias que o protegiam pareciam aos poucos se contrair. Era como se quisessem o expulsar. O prisioneiro ainda não enxergava, mas podia sentir que se aproximava de algo contrário à escuridão habitual. Ele nunca tinha sentido tanto medo. Ele reconhecia a voz que gritava. Era a mesma que antes o acalmava tão docemente. Ao mesmo tempo em que a voz se silenciava, ele se viu em um mundo completamente diferente. Ele sentia que era manuseado, ouvia vozes diferentes das habituais. E então, pela primeira vez, ouviu seu próprio som, ao mesmo tempo em que pôde ver pela primeira vez.

Tanto espaço, havia tanto espaço! E seres tão estranhos, vultos embaçados. O medo persistia. Alguma coisa penetrava em suas narinas, dando-lhe uma sensação de conforto e alívio. Ele não percebia que a partir daquele momento se tornaria escravo daquela ação. O aço frio e cortante o livrou de sua algema orgânica. O trauma estava completo.

O prisioneiro foi colocado ao lado da voz. Agora ela tinha feições e parecia o observar. Ele sentia-se seguro ao seu lado, como se de alguma forma estivesse dentro de sua antiga prisão novamente. Se pudesse escolher ele retornaria, pois ali havia muito espaço. Porém não existia retorno. Sua condenação havia apenas começado.


Continua...

Tips

16 de dez. de 2013














If you have two choices
choose the better you can.
Can you hear the voices
calling inside your ears?
Hand your hands by glory
of every single day.
Spread your love around it
What love be all you say!
Look the world and children
They are a part of you
The mankind where you living
Learn to love them too.

Sonho verdadeiro

21 de out. de 2013











À noite os sonhos dormem
no véu sombrio da luz lunar.
Entorpecidos de realidade,
Os sonhos não sonham,
apenas hibernam em meio
à escuridão da alma.

De manhã o sol clareia os sonhos.
Desperta-os das ilusões da realidade.
De olhos abertos veem
o que não pode ser visto.
habitam o verdadeiro mundo.
O lugar onde os sonhos existem.

Asleep heart

4 de out. de 2013













Don't say "no" to your dreams.
Your heart knows what you're feeling.
But if your heart goes to your fears,
Bring it back to inside your sleeping.