O Prisioneiro- parte 1

9 de jan. de 2014











“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer. Porque no dia em que o fizeres serás condenado a morrer”.


                                                                                               Gênesis 2,17

 

A primeira prisão

                                                                                   
Ele foi gerado em uma prisão, embora não tivesse consciência disso. No futuro ele não se lembraria de nada sobre aquele local, mas naquele momento ele sentia-se seguro e confortável, como se aquela prisão fizesse parte dele mesmo.

Só havia a escuridão, embora ele não tivesse consciência disso também, pois o prisioneiro não enxergava e, mesmo que enxergasse, ele não saberia dar nome à escuridão, porque ela estava ali desde o princípio confundindo-se com o ambiente e com ele mesmo. O local era morno e agradável. Na escuridão ele flutuava. Com sua percepção falha não era possível saber o que era em cima e o que era em baixo. Havia paredes macias que pareciam se mover. No futuro ele não se lembraria de nada daquilo, nem mesmo da estranha sensação de que tudo aquilo era ele mesmo.

Ele ouvia vozes. Não entendia o significado daqueles sons, nem sabia se eram dirigidos a ele. Apenas ouvia. Eram várias vozes, embora algumas fossem mais frequentes e justamente as que o agradavam mais. Muitas eram desconhecidas e o assustavam. Mas existia uma que era especial. Quando ele a ouvia, de certa forma sabia que ela estava se dirigindo a ele. Às vezes ele queria responder àquela doce voz que o agradava tanto, mas não era capaz de fazer isso.

Não era possível saber quando era dia ou quando era noite. Ele simplesmente dormia quando sentia sono. O prisioneiro não sentia fome nem sede. Seus dias eram tranquilos e ele apenas vivia um dia após o outro em sua doce prisão.

Então um dia algo estranho aconteceu. As paredes macias que o protegiam pareciam aos poucos se contrair. Era como se quisessem o expulsar. O prisioneiro ainda não enxergava, mas podia sentir que se aproximava de algo contrário à escuridão habitual. Ele nunca tinha sentido tanto medo. Ele reconhecia a voz que gritava. Era a mesma que antes o acalmava tão docemente. Ao mesmo tempo em que a voz se silenciava, ele se viu em um mundo completamente diferente. Ele sentia que era manuseado, ouvia vozes diferentes das habituais. E então, pela primeira vez, ouviu seu próprio som, ao mesmo tempo em que pôde ver pela primeira vez.

Tanto espaço, havia tanto espaço! E seres tão estranhos, vultos embaçados. O medo persistia. Alguma coisa penetrava em suas narinas, dando-lhe uma sensação de conforto e alívio. Ele não percebia que a partir daquele momento se tornaria escravo daquela ação. O aço frio e cortante o livrou de sua algema orgânica. O trauma estava completo.

O prisioneiro foi colocado ao lado da voz. Agora ela tinha feições e parecia o observar. Ele sentia-se seguro ao seu lado, como se de alguma forma estivesse dentro de sua antiga prisão novamente. Se pudesse escolher ele retornaria, pois ali havia muito espaço. Porém não existia retorno. Sua condenação havia apenas começado.


Continua...

Tips

16 de dez. de 2013














If you have two choices
choose the better you can.
Can you hear the voices
calling inside your ears?
Hand your hands by glory
of every single day.
Spread your love around it
What love be all you say!
Look the world and children
They are a part of you
The mankind where you living
Learn to love them too.

Sonho verdadeiro

21 de out. de 2013











À noite os sonhos dormem
no véu sombrio da luz lunar.
Entorpecidos de realidade,
Os sonhos não sonham,
apenas hibernam em meio
à escuridão da alma.

De manhã o sol clareia os sonhos.
Desperta-os das ilusões da realidade.
De olhos abertos veem
o que não pode ser visto.
E habitam o verdadeiro mundo.
O lugar onde os sonhos existem.

Asleep heart

4 de out. de 2013













Don't say "no" to your dreams.
Your heart knows what you're feeling.
But if your heart goes to your fears,
Bring it back to inside your sleeping.

Multiverso

23 de mai. de 2013








Com um verso eu descrevo o universo.


Ponteiros

23 de mar. de 2013









Tanto tempo te esperando...
Tanto tempo, tento tanto.
Tanto tento...por enquanto.

Ode to the old year

31 de dez. de 2012
















Thanks, old year!
Nobody cares with you
But I feel you so near.
Thanks for the learning,
For the pain, for the rain.
A new year is coming
But you are not lonely yet.

I will remember you
My desires, my doubts,
My age passing  through.
Your days and months.

Thanks, old friend!
I say goodbye with tears.
But in my heart
You will stay
My dear old year.

Discurso sobre a inutilidade da arte

5 de jul. de 2012












Eu estava sentado em uma lanchonete esperando o horário do meu ônibus partir. Como ainda faltava muito tempo, resolvi rabiscar o rascunho de alguns poemas só para me distrair. Nem prestei atenção ao homem que se sentou ao meu lado. Ele, por sua vez, parecia estar um pouco incomodado comigo, pois não conseguia desviar os olhos do bloco de notas onde eu escrevia meus protótipos de poemas. Por fim, pegou um jornal e começou a ler, ou melhor, a tentar ler. De minuto em minuto ele olhava por cima  ou pelo lado do jornal, atraído pelo meu ato solitário de escrita.

De repente, como se não aguentando mais aquela tortura, o homem bateu o jornal sobre a mesa e indagou de forma enfática. “Por favor, não há nada  melhor que possa fazer ?” Eu nunca considerei meus textos como grandes obras literárias, mas não pude deixar de me sentir ofendido. “São apenas rascunhos, meu senhor.” Respondi.  “Acho que você não entendeu. Não disse para você fazer poemas melhores. Pois não existem poemas melhores. Para mim tanto faz os seus poemas ou os poemas de  Drummond. São todos inúteis.” Bem, não era a primeira vez que eu encontrava alguém que não gostava de poesia. O que me surpreendeu foi a enxurrada de argumentos que se seguiu. O homem desandou a falar como um pregador. Suas ideias eram  tão inusitadas, que de certa forma me atraíram. Como eu tinha tempo resolvi escutá-lo. “A literatura  não serve para nada. É inútil. Os literatos são um bando de parasitas que não acrescentam nada à sociedade. Toda a obra literária mundial reunida não tem  o valor da descoberta do transistor. A ciência, meu caro, essa sim é uma atividade digna da humanidade.”

Enquanto eu escutava, comecei a prestar atenção na fisionomia do meu palestrante pessoal. Ele vestia terno e gravata, carregava uma maleta entupida de papéis que exibiam suas pontas pelas bordas da valise. Reparei que havia muitos números e cálculos  complicados nesses papéis. Ele  continuou a falar. “Mas não pense que a literatura é o único erro da humanidade. Veja isto”. Ele apanhou o jornal e abriu na página de cultura. Havia uma reportagem sobre a exposição de réplicas dos clássicos da pintura universal. O jornal trazia a gravura de algumas dessas  pinturas. “A pintura deveria ser para crianças.” Dizia ele. “Não, nem mesmo para crianças. Seria retirar dos cérebros a capacidade de criar algo verdadeiramente útil à sociedade. Quem são os mais importantes? Médicos, engenheiros, advogados ou... pintores? Façam-me o favor. Veja isto.” Ele apontava para o auto-retrato de Van Gogh. “Era um louco. Cortou a própria orelha. E esse outro...” Dessa vez mostrou  a foto de Salvador Dalí. “ Era um palhaço. Veja o bigode ridículo dele. E ainda são idolatrados! A arte não traz benefício a ninguém, a não ser aos artistas. Eles ganham dinheiro vendendo inutilidades. As pessoas  compram arte e fingem entender sobre ela, apenas para parecerem importantes . Mas o que há para entender? Os teóricos da arte criam inúmeras suposições sobre a interpretação das obras. Eles também são uns inúteis. São aproveitadores assim como os artistas. A literatura e a pintura têm o mesmo valor da música, ou seja, nenhum. Até hoje nunca consegui ouvir àquele emaranhado de sons ao qual chamam de sinfonia e nunca conheci ninguém capaz de ouvir. Qual o sentido daquelas enormes e chatas composições? E quanto à  música popular? Serve apenas para desviar a atenção da população do que realmente interessa . A música é para vagabundos.”

Ele apontou novamente o jornal e completou. “ Isso sim é útil. Informação é o que precisamos. A imprensa é o veículo das idéias, o meio mais eficiente de levarmos ao mundo o que nós pensamos.”

Enquanto  ele segurava o jornal, observei uma reportagem sobre a ocupação americana no Iraque ao lado de uma reportagem sobre o aniversário da morte de John Lennon . “ Pois então lhe digo, meu jovem. A arte é uma enganação, uma inutilidade. Música, pintura, poesia, dança, teatro, cinema, todas  inúteis. A política, essa sim é a  salvação do mundo. O que seria de nós sem ela? Me diga! Não teríamos organização. O mundo seria um caos, uma anarquia. Por isso, meu filho, faça algo melhor. Escreva discursos políticos . Pois como disse alguém, a quem não me lembro o nome agora, 'A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.' ”

Ele se levantou e foi embora carregando sua maleta e sua cabeça cheia de utilidades. Ainda faltava algum tempo para meu ônibus partir. Eu poderia pedir que ele ficasse e tentar defender a arte de alguma forma. Mas eu achei que a própria arte já havia se defendido muito bem. Peguei meu bloquinho de notas e continuei rabiscando meus poemas.

Meio-dia

28 de mai. de 2012















Há quanto tempo não escrevo um poema?
Há quanto tempo esqueci como amar?
Há quanto tempo perdi-me no tempo?
Há quanto tempo? Há quanto tempo?

O futuro parece-me mais distante do que o passado
E mesmo assim os rostos me parecem vagos.
O passado tem o dom de nos tornar ridículos
Por cabelos, roupas e atitudes.
O futuro me reserva a sabedoria?
Não! Doce engano do passado.

Amordaçado

18 de mai. de 2012



O amor é um tipo de egoísmo bom.
É sentir-se bem com uma presença,
Ter a alma acorrentada por querer.
O amor é a melhor prisão.

O mais verdadeiro, o familiar amor de mãe,
Incondicionalmente para sempre
Oculto no coração de quem ama.
Mas por que ainda tento sabendo que
O amor é de impossível descrição?