Ódio à poesia

8 de abr. de 2009












eu odeio a poesia
dama esnobe que desdenha o que dou:
meu esforço
que não vale a pena
nem a tinta

eu odeio a poesia
que me revela quando eu me oculto
não há um canto escuro
onde eu possa esconder
o que sinta

odeio essa busca
pelas palavras que não vêm
odeio-te
com o mais profundo amor
que eu poderia odiar alguém.

Caeiriana

7 de abr. de 2009











A beleza não está nas coisas.
A beleza é uma qualidade que damos em troca
pelo prazer que as coisas nos proporcionam.
Se algo não me agrada, não me será belo,
porque a beleza é construída por mim.
As coisas são, e existem pelo simples fato de existir.

2 de abr. de 2009












O olhar humano é míope, a arte é uma lente de correção.
1 de abr. de 2009










Um dia, ele acordou dentro de um sonho, e nunca mais quis dormir novamente.
17 de mar. de 2009













Dentro de instantes, virarei o meu rosto
para aquele outro lado que há para ir.
Dentro de instantes, me calarei.
E o sonho será este ou aquele que deixei partir?

Ingratidão

4 de mar. de 2009












Musa ingrata, o que lhe peço é tão pouco:
Somente o gosto de fazer-te bela.
Não peço rimas nem estrofes cultas,
Meu culto é apenas a palavra certa.

Mas o meu ritmo sempre é traído
pelos meus versos tortos que me doem.
Meu esforço já nasce sempre falido,
E os poemas nascidos jamais se constroem.

Juízes 19

2 de mar. de 2009










..me sinto despedaçada a alma parece não ser mais parte de mim uma dor de profunda desilusão por ele ter entregado o meu corpo pela salvação do seu corpo procurei gritar por salvação estendendo as mãos aos céus sem forças para lutar pela vida possuída por algozes destroçados no espírito os sentimentos pisados por alguém que não tem importância a honra que não seja a nossa honra envergonhada é a casca do nosso corpo violado e sem vida pelo estupro vergonhoso do corpo e da mente são os desejos e o medo dos covardes é o desejo e a infâmia dos que temem e fingem não ouvir os gritos de quem estende as mãos por salvação na poeira do chão ensanguentado pelos pedaços de dignidade perdida sem direito ao direito de não ser entregue aos homens pela honra dos homens eu sinto a dor de ser dos homens a minha vida estendendo as mãos de sangue e lágrimas de desilusão profunda pela dor de não ser mais parte de mim se sente despedaçada me sinto..

Não sorria!

19 de fev. de 2009













Assim que abriu a porta do seu apartamento, João passou a ser filmado pela câmera do 6º andar. No elevador, foi filmado juntamente com outros moradores, que também sempre saíam naquele horário. Foi para o estacionamento. A câmera de segurança o filmou entrando em seu carro as 7:15 e, as 7:18, a câmera na portaria do prédio o filmou deixando o condomínio.
João passou devagar por um trecho monitorado por uma câmera contra excessos de velocidade. Antes de chegar ao trabalho, foi filmado pela câmera da padaria onde sempre tomava o seu café. No prédio onde trabalhava, foi filmado diversas vezes pelas câmeras de segurança, em vários ângulos, durante vários momentos do dia. A primeira câmera que o filmava quando entrava era a mesma que o filmava quando saía.
A câmera da portaria de seu prédio o filmou chegando em casa as 18:20, como de costume. A câmera do estacionamento registrou o momento em que ele deixou o carro. No elevador, a câmera o filmou assobiando tranquilamente até chegar ao 6º andar. A câmera de segurança no corredor o filmou entrando em casa exatamente as 18:29.
João assistia a uma reportagem no telejornal. A transmissão acontecia em um local próximo ao seu trabalho. Ele pensou: “Puxa, alguns minutos de atraso e eu teria aparecido na televisão. Por isso que é bom a gente sempre estar elegante.” E deu uma piscadinha para uma câmera imaginária.

Rosa verdadeira

17 de fev. de 2009












Regina amava Daniel. Porém, ele a via apenas como sua melhor amiga. E para piorar a situação, Daniel estava apaixonado por uma amiga de Regina e vivia pedindo para ela dar uma forcinha. “ Um drama típico de novela”, pensava ela.

Em um belo dia de primavera (era realmente um belo dia de primavera, não é apenas para dar clima à história), os dois estavam sentados em um banco no parque da cidade. Daniel finalmente fez uma pergunta relacionada à Regina e não à sua amiga. “Uh, demorou! Até que enfim ele reparou em mim.” Pensou ela, já cansada da cegueira do seu “grande amor”. Daniel perguntou se Regina já havia tido algum namorado antes. (Desculpem meu descaso, esqueci de dizer que os dois eram adolescentes. Assim a pergunta dele não parecerá idiota.)

Regina explicou que uma vez namorou um cara que ela gostava muito. Porém, um dia, ele a presenteou com uma rosa. depois disso, ela se desinteressou e terminou o namoro. “Como assim?” Perguntou Daniel sem entender. “Era uma rosa de plástico. Como alguém que ama pode dar uma rosa de plástico? É sinal de que o amor também é falso. Quem ama de verdade dá uma rosa verdadeira.” infelizmente, o papo terminou por aí. Daniel voltou a falar da outra e Regina voltou à sua tristeza habitual.

Mas algo estranho começou a acontecer com o rapaz. Ele não parava de pensar em Regina e no que ela lhe disse. O rosto da menina sempre aparecia na sua mente nas horas em que ele menos esperava. Fazia duas semanas que ele não a via, não conseguia contactá-la pelo celular nem por e-mail ou msn. Já estava decidido a ir procurá-la quando alguém bateu à porta. Era um carteiro com uma encomenda para Daniel. Junto com o embrulho, havia um bilhete de Regina. Ela havia se mudado com a família a uma semana, não escreveu o endereço de sua nova casa, a correspondência estava com o endereço antigo. Era um bilhete de despedida.

Daniel ficou abalado, entrou em casa sentindo um vazio crescendo dentro do seu peito, abriu o embrulho aos poucos, sem conseguir tirar a imagem de Regina de sua mente. Ao ver o que era, suas mãos tremeram. O cheiro doce espalhou-se vagarosamente pelo ar. Era uma rosa verdadeira.

O bem e/ é o mal

13 de fev. de 2009




Cubra
o
sol
e as sombras

sumirão